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sábado, 27 de dezembro de 2008

Reflexões de final de ano

Trabalho na área industrial há mais de 15 anos. Quando comecei tinha muitos sonhos e objetivos e muitos deles foram alcançados, alguns não. 

Nos últimos anos vinha percebendo uma certa “saturação” da minha parte com relação ao meu trabalho, nada mais me dava “tesão”, a vontade era de mandar tudo para os ares, pegar uma mochila e sair por aí, sem rumo.

 Mas a realidade me mantinha preso ao chão. Contas para pagar, responsabilidades para com a família, são coisas que não se apaga usando uma borracha, e eu nem queria isso.

 Sempre gostei de música, quem me conhece sabe disso. Durante um período da minha vida imaginei que seguiria esse caminho profissional. Apesar de a indústria e todos os seus tentáculos já terem se apossado de mim, eu ainda nutria o sonho de trabalhar com comunicação, levando às pessoas, e principalmente, para mim mesmo um pouco do sonho dourado do paraíso do rock n’ roll. Mas que paraíso é esse???. A vida de um jornalista é muito mais do que o romance do filme “Quase Famosos”. Na verdade,  apesar de toda a glamourização essa é uma profissão qualquer, com altos e baixos, pontos positivos e negativos.

 Essa não é a opinião de um frustrado, muito pelo contrário, é a opinião de uma pessoa que começou a enxergar a sua profissão com um olhar diferente depois de todos esses anos. Tudo o que tenho, tudo, é fruto do trabalho executado ao longo desses anos pelas diversas empresas pelas quais passei. Poderia ter ido mais longe, mas também poderia ter ficado empacado e esperando o “sonho” virar realidade. Sonho?. Sim, pois independente da profissão que se tenha, a sua casa, os seus bens e a sua família, são as mesmas, são os mesmos objetivos. Apenas a via que te leva a eles muda.

 A construção desse blog deu vazão ao sentimento de amor que eu tinha preso dentro de mim e que queria extravasar de alguma maneira. Falar de rock é um momento de terapia, de descarga emocional após um dia pesado, chato de trabalho. O rock sempre tem boas histórias e compartilhá-las, independente de quem leia é muito sadio.

 Descobri que o mundo dá voltas e hoje eu percebo que muito do que sonhamos pode estar nas nossas mãos basta colocarmos em prática com o que temos e depois de alguma ajudinha, até da nossa imaginação, podemos saciar nossa sede e ainda descobrir novos horizontes.

 Hoje estou muito bem no meu trabalho, vejo que a realidade é dura, mas se a encararmos podemos tirar muito proveito dela. Avalio tudo de duas maneiras antes de tomar uma decisão e colocá-la em prática. Isso me ajuda a refletir melhor se o que quero é realmente o que tenho em mãos ou se ainda devo forçar mais para alcançar objetivos maiores. 

Para os poucos amigos que me acompanham desejo um feliz 2009, cheio de paz, saúde e muito ROCK N’ ROLL! 

Abraço! 

André Coelho

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Chrome Division

É disso que eu gosto no rock, quanto mais você fuça mais você se surpeende. 

Tava vasculhando meus arquivos de MP3 e achei esse disco fantástico do Chrome Division, “Doomsday Rock N’ Roll”.

Nunca fui fã do Dimmu Borgir ou do Kovenant, mas Shagrath e Lex Icon, respectivamente vocalista e guitarrista das bandas citadas acertaram a mão nesse projeto que é uma mistura de peso à la Motorhead com a crueza típica de uma boa banda metal crossover.

 Para esse disco a formação da banda foi: Shagrath e Rick Black nas guitarras, Björn Luna no baixo, Tony White na bateria e Eddie Guz nos vocais. E o ex Icon?. Pois é o cara saltou fora antes da gravação do disco, coitado...... Não sabe o que perdeu.

As pauladas vem uma atrás da outra, com destaque para a excelente “1st Regiment” que tem uma introdução fodona nas guitarras e resume bem o que a banda quer mostrar. Puro Rock N' Roll com boas doses de riffs e vocais safados.

A comparação com Motorhead é inevitável, mas não totalmente justa, pois o Chrome Division parece muito mais técnico (principalmente no duo de guitarras) e menos rígido no lado instrumental vide a praticamente hardcore “When The Shit Hits The Fan”. Mas se bem que uma comparação como Motorhead não é nada mal!.

Enfim, mais uma ótima banda formada por caras de bandas tão distintas que nunca poderíamos dizer que formariam uma banda tão única como o Chrome Division.

Falow!

http://www.chromedivision.com/

Boris - Stoner Rock Japonês

Tava ouvindo a Last Fm sintonizado no tag Stoner Rock influenciado pelo post do Fu Manchu e ouvi uma banda muito pesada chamada Boris. Fui atrás e encontrei um trio de japoneses muito loucos!

Stoner Rock feito no Japão, e de qualidade. A banda é formada por: Atsuo na bateria e vocais, Wata na guitarra e Takeshi no baixo e vocal (às vezes o cara toca numa Ibanez de braço duplo aonde um braço é um baixo e o outro uma guitarra). 

A banda tá lançando disco desde 1996 e o som foi mudando de disco para disco, indo do hardcore ao drone metal e atualmente sabe-se lá em que região do nosso sagrado rock n’ roll esses japoneses estão metidos. Independente disso é certeza de bons sons.

Em 2008 o Boris está abrindo os shows da turnê do Nine Inch Nails  e lançou seu mais recente álbum, “Smile”.

Lendo a respeito da banda descobri que os dois mais respeitados discos, seja pela crítica como pelo público são os “Heavy Rocks” de 2002 e o “Pink” de 2005.

Rock viajante, pesado e cheio de influências legais como “Blue Cheers”, “Kyuss” e “High On Fire”, quer mais???. Vá atrás!. Posso dizer que Heavy Rocks é louco!. Procure no 4shared como 2002 – Heavy Rocks.

Abraço!

Leia:

http://en.wikipedia.org/wiki/Boris_(band) 

Veja: 

http://www.youtube.com/watch?v=6t3dHC2qcBc 

Acesse:

 http://homepage1.nifty.com/boris/top.html

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Notícia atrasada, sapato no Bush!!

Hilário, puramente rock n' roll!!. Assitam:

The Sky is Crying e o meu amor pelo blues

É engraçado eu conhecer Steve Ray Vaughan a tão pouco tempo. Mas também é um pouco lógico.

 Eu sempre fui fã de rock n’ roll, mas não tanto de blues. O tempo foi passando e a minha mente foi se abrindo, conforme eu ia aprendendo o que realmente era MÚSICA, isso mesmo, com letra maiúscula, fui percebendo outros ritmos e artistas fantásticos, como SRV. 

Tenho um grande amigo que tinha, ou tem, não sei (faz tempo que não o vejo), uma banda que tocava rock e blues e o guitarrista deles era um prodígio. O moleque quebrava tudo e era super fã do Steve, usando inclusive uma Fender Signature SRV (fantástica!) http://www.fender.com/products/search.php?partno=0109200800. Foi aí que esse camarada me disse para procurar mais sobre o guitarrista que mudou a cara do blues nos anos 80.

O primeiro CD que comprei foi um que dei de presente para a minha esposa. “The Sky Is Crying”. Um álbum póstumo lançado um ano após a morte do guitarrista, num acidente de helicóptero. 

Fiquei chapado!. Como pode um guitarrista ser tão agressivo, técnico e tradicional ao mesmo tempo????. O álbum começa arrebentando com “Boot Hill”, segue com “The Sky Is Crying”, passa por “Empty Arms” e chega na faixa que mais me surpeendeu, “Little Wing”, clássico de Jimi Hendrix que ouso dizer que foi aqui melhorada umas dez vezes. Sacrilégio? Acho que não. Steve estende a música deixando os vocais de lado para fazer a sua guitarra cantar para nós, emocionante.

Para mim o álbum poderia acabar aqui, mas ainda tem mais e mais "Wham", "May I Have A Talk With You ", “Close To You”, "Chitlins Con Carne ", “So Excited"  e a linda acústica"Life By The Drop” completam esse clássico lançado em 1992 mas que fez parte da minha coleção uma década depois do seu lançamento.

Acredito que esse disco mudou completamente meu gosto musical. Hoje coloco um show e uma banda de blues na frente de qualquer outra, seja para comprar ou tocar. Sou um péssimo guitarrista, mas o pouco que tenho tocado tem sido voltado para esse gênero que numa primeira vista parece privilegiar muito a técnica, mas que na verdade coloca muito da emoção e feeling na pegada do instrumento.

Vida longa ao blues!

http://pt.wikipedia.org/wiki/Stevie_Ray_Vaughan

http://pt.wikipedia.org/wiki/Blues

http://www.bluesnjazz.com.br/

Fu Manchu

Não sei como descobri essa banda, mas com certeza foi na net. Santa Internet!!!

O Fu Manchu é uma banda californiana formada no início da década de 90 e traz como principal característica os sons de guitarra extremamente potentes e altos, mas de cadência mais lenta, que muitos denominaram como stoner rock (rock chapado).

Impossível ficar parado com o som dos caras, já lançaram dezenas de CD’s, EP’s e um dos melhores discos ao vivo que já escutei na minha vida:  “Go For It... Live!” de 2003.

Paulada na cabeça!

Confiram:

http://www.fu-manchu.com/default.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Fu_Manchu_(banda)

Listas

Seguindo na linha das listas eu li no site Scream & Yell (link ao lado) as listas dos melhores discos de 2008 em 15 publicações mundo afora. E me espantei! tô totalmente por fora de tudo o que acontece na música atual. Dos artistas conheço poucos, desses poucos ouvi pouqíssimas coisas de seus trabalhos recentes e dos demais simplesmente não tenho idéia de quem são.

 O que me deixa mais confuso e temente é que eu não estou nem aí!. Não me fez falta nenhuma ouvir os caras do MGMT ou TV ON THE RADIO,ou seja lá qual mais estiver na lista. Tô tranqüilo com as minhas escolhas musicais e o cenário atual da música não me faz nem ligar a rádio ou a net para saber das novidades. 

Mas ler as listas também me fez sentir saudades, principalmente da rádio Brasil 2000 FM – 107,3, aqui de São Paulo. Ela ainda existe, mas eu não dou a mínima para a programação atual. Sinto falta do Roberto Maia e do Tatola, que colocavam novidades todos os dias e faziam e aconteciam, sinto falta do Garagem, que nem sempre tocavam o que eu gostava de ouvir mas ouvia pois a anarquia era tanta que nem parecia que os caras eram tão influentes com relação a música. 

Ou seja, me transformei em um nostálgico. E espero, ansioso, pela nova banda que revirará o rock de cabeça para baixo e me fará acordar desse sono profundo o qual estou a mais de anos......

1001 discos

A imagem da capa com Sid Vicious apontando uma Gibson Les Paul para você como se fosse uma arma parece uma ordem para que você abra e devore essa obra de 960 páginas que tenta, o que já é um grande feito, nos colocar o que seria os 1001 melhores e indispensáveis discos desde 1950 até 2005 (a minha edição é de 2006). 

Como toda obra que tenta condensar a história, essa é irregular. Mas prima pela diversidade e mais do que isso, muitas vezes colocar na prateleira artistas que ou foram esquecidos pelo ou simplesmente não apareceram com a devida importância na mídia do seu tempo. 

O livro é dividido por décadas iniciando na dourada 50 com um disco do mestre (gângster) Frank Sinatra “In The Wee Small Hours” de 1955. Cada trabalho é comentado dirigindo a obra e  a vida do artista naquele momento, também há a lista de música do disco em questão. 

O livro é recheado de fotos e na minha opinião as décadas de 60 e 70 são as mais legais de serem lidas, pois os discos escolhidos simplesmente contam a história do rock n’ roll e suas origens e ramificações posteriores. 

Dezenas de críticos foram selecionados para escrever as resenhas e escolher as obras e a edição geral do livro ficou a cargo de Robert Dimery. 

Eu adoro listas e essa simplesmente ser mais do que tudo como um guia, pois podemos a qualquer hora abri-la e nos deliciar com o que de melhor aconteceu na história da música nos últimos 50 anos. Para guardar e mostrar aos nossos filhos e netos. 

Um ótimo presente de natal para quem gosta de música.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Desciclopédia

Sem mais delongas visitem:


Quer uma amostra?

Então vejam:

Virtuoses 2 - Eric Johnson

Outro “virtuose” que tenho escutado muito é o Eric Johnson. Conheci o trabalho do cara depois de assistir a um show do famoso G3, projeto do guitarrista super, hiper, mega virtuose Joe Satriani. Na época foi muito estranho, pois Eric não é do tipo “solto” no palco. O show dele é uma antítese dos do Satriani, Vai, Petrucci ou Gilbert. Sempre muito calmo, sereno, Johnson é um gentleman, entrega notas perfeitas e extremamente bem “timbradas”  devido a quase loucura que o rapaz tem pela perfeição do seu som formado pelas inseparáveis Fender Stratocastrer e demais amplis e efeitos “vintage”. 

Recomendo o álbum “Ah Via Musicom” de 1990 que contém o clássico “Cliffs Of Dover” assim como “Vênus Isle” de 1996 com as também clássicas “SRV” e “Manhattan”.

 Instrumental, virtuose e de qualidade.

 http://www.ericjohnson.com/ 

http://www.geocities.com/ericjohnsonbr/?200812 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Eric_Johnson

Virtuoses

Nos últimos anos tenho escutado muita música instrumental, principalmente de guitarristas “virtuoses”. 

Sempre tive o pé atrás com esse tipo de guitarristas, pois as músicas dos caras são tecnicamente impecáveis porém um pouco “quadrada demais”. 

Porém, pouco tempo atrás escutei o disco “Get Out Of  My Yard” do guitarrista norte americano Paul Gilbert e ele me serviu para abrir um pouco a minha mente com esse gênero de música. 

O disco é fantástico, tanto pela técnica como pelo famoso “feeling” Paul agarra os ouvintes com uma mescla de irreverência, força, delicadeza, tudo isso numa música só! (escute “Radiator”). 

O disco abre com a faixa título e a forma como Gilbert toca sua Ibanez“signature” é de cair o queixo de qualquer “mortal” das seis cordas. 

Ao longo do álbum pode-se perceber que o guitarrista colocou a arte na frente da técnica pois muitas faixas não são extremamente velozes ou complicadas mas mesmo assim cativam pela beleza da composição (“Marine Layer” é um exemplo – somente piano e violão num dedilhado suave e constante). Música para tocar para os filhos dormirem, linda! 

Não vou ficar divagando mais sobre o disco pois a net ta aí para nos ajudar com isso, né?. Também não vou ficar aqui falando muito do artista Paul Gilbert porque os links abaixo falarão por mim. Mas digo o seguinte, o cara é firmeza, cheio de estilo e o mais legal, quando ele toca, parece que é fácil, fácil. 

Para quem gosta de guitarra, um prato cheio! 

P.S. Procurem um disco chamado “Raw Blues Power” que o Paul gravou com seu tio, Jimmy Kid. Muuuiiitttooo bom. 

http://www.paulgilbert.com/ 

http://www.paulgilbert.com.br/ 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Gilbert

 Abraços!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Music Junkie

Sou um viciado em música. Hoje, moderado, mas há alguns anos atrás eu poderia muito bem ser confundido com qualquer junkie por aí. 

Não poucas vezes gastei meu rico e suado din din no último lançamento da banda X  ou na edição especial da banda Y. Quando chegava o final do ano era uma beleza, saía das lojas com 5, 6, as vezes 10 cd’s na sacola. 

Não sei o que uma carreira de cocaína faz com o cérebro, ou como uma injetada de heroína mexe com o seu corpo, mas se a reação for: os pelos do corpo arrepiarem, a barriga doer, a adrenalina subir a ponto de você gritar na continuidade da música, então pessoal, parem de usar essas substâncias ilícitas e escutem música! 

E por que estou escrevendo tudo isso? Bem, antigamente meus “traficantes” eram as lojas especializadas, as revistas e fanzines. Hoje é a Internet. Na minha opinião é como se eu tivesse toda a Colômbia (traçando um paralelo com drogas, claro) só para mim, e sem pagar!

 Mas tudo isso tem seu preço, o barato já não bate tanto como antes. A facilidade é tão grande que o volume de informações não deixa a droga (música) subir à cabeça e fazer efeito. Enquanto você escuta a banda A já está baixando a banda B, de repente você esquece da banda B porque leu num site (revista já era) que a banda C ta fazendo o maior barulho e você TEM que ouvir.

 Será que tem mesmo? Cadê o romantismo de abrir o cd e ler o encarte, admirar a arte da capa e saber exatamente quem fez o que no trabalho daquele artista. Ok, ok, com cd a 30 paus (quando não mais), fica difícil saborear ainda mais sabendo que lá do outro lado, com uma boa banda larga, em alguns minutos você economizou tempo e dinheiro. Mas pense bem, temos que ter tanta informação assim?

 Bandas aparecem e desaparecem num minuto, duram no máximo, máximo dois discos e olhe lá. Já não temos mais uma história recente, pois todo dia um artista tira o foco do outro, apagando a sua história! 

Dias atrás fiz algo que há tempos não fazia, comprei um cd. É engraçado, cheguei em casa e ripei ele para o pc!! Mas foi muito bom abri-lo e me deliciar com toda a arte, não só com a música, mas com as fotos, desenhos e tudo o mais. Senti o barato de novo. 

Assim como eu acredito que outros têm o mesmo sentimento, de ter o trabalho completo do artista na mão, poder degustá-lo até dizer chega e só depois partir para outra. Resta saber se a indústria da música terá esse feeling com relação a nós consumidores ou se continuarão a atirar no pé com andam fazendo (artistas idem). 

E eu, bem, estou em REHAB

Bad Religion - Falando o que presta

Hoje o Bad Religion não me representa muita coisa além de boa música. Mas nem sempre foi assim.

 Em 1993 eu tinha 16 anos e ouvi, na saudosa 89FM, “American Jesus”. Num primeiro momento só o riff e o refrão, grudentos, eram perceptíveis, pois o cantor praticamente engolia as palavras e nada era bem compreensível para ser traduzido. 

Nessa mesma época tinha um programa na MTV chamado “Pé da Letra” que traduzia algumas músicas da programação. “American Jesus” foi uma delas. Foi foda!!. Achei a letra muito louca, extremamente contestadora e bem escrita, queria saber mais daquela banda que tinha uma cruz com uma faixa de negação como símbolo.

 Dois anos se passaram até eu comprar, de uma vez, “Recipe for Hate” que continha o clássico acima e “Stranger Than Fiction” o primeiro álbum da banda por uma major e que trazia outro clássico “21th Century Digital Boy”. 

Entre idas e vindas o Bad Religion foi se tornando presença obrigatória na minha discoteca seja pelas letras muito bem escritas por Greg Graffin e Mr. Brett seja pelo som, copiado a exaustão por emos de todo o mundo. Independente do estilo que eu estava ouvindo no momento sempre arranjava um tempo para colocar uma dos caras para tocar.

Não me considero fã de carteirinha. Tenho vários cd’s, fui a diversos shows da banda, mas não me atrelo tanto ao som, as vezes cansa um pouco tanta falação e guitarra na cabeça!. Mas com certeza, 15 anos atrás o Bad Religion me ensinou que banda de rock poderia ser barulhenta, tocar na rádio e falar o que presta.

Visitem: 

http://www.badreligion.com/

http://www.badreligion.com.br/ 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bad_Religion

Eu não acredito no Obama

Jesus Americano

Eu não preciso ser um cidadão globalizado
Porque eu sou abençoado pela nacionalidade
Eu sou membro de uma população crescente
Nós forçamos nossa popularidade
Há coisas que parecem nos puxar para baixo e,
Há coisas que nos arrastam para baixo
Mas há um poder
e uma presença vital
Está esperando para atacar

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Ele ajudou a construir a propriedade do presidente

Eu sinto pena da população da Terra
Porque muitos poucos moram nos EUA
Pelo menos os estrangeiros podem copiar nossa moralidade
Eles podem visitar, mas não podem ficar
Apenas alguns preciosos podem acumular nossa prosperidade,
Isso nos faz andar com confiança renovada
Nós temos um lugar para ir quando morremos,
E o arquiteto mora bem aqui

Nós temos o Jesus Americano
Encorajando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Subjugando milhões todos os dias

Eles são os fazendeiros do campo fértil
As forças armadas
Expressões no rosto dos milhões de famintos
O poder do homem
Ele é o combustível que dirige o clã
Ele é o motivo e a consciência do assassino,
Ele é o pregador na TV
A sinceridade falsa
A forma que escreveu para grandes computadores
As bombas nucleares
As crianças sem mães
E eu tenho medo que ele esteja dentro de mim

Nós temos o Jesus Americano
Veja-o na interestadual
Nós temos o Jesus Americano
Exercendo sua autoridade
Nós temos o Jesus Americano
Encorajando a fé nacional
Nós temos o Jesus Americano
Subjugando milhões todos os dias

Uma nação temente a Deus... 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

LAST FM

Sabe o Orkut. O que é mais legal dentro dele? Na minha opinião ficar vasculhando a vida dos outros..... hehehehe.

 E se existisse um Orkut da música? Pois existe. É a Last FM.

 E como funciona? 

Entre no site http://www.lastfm.com.br e faça um cadastro com um login e senha.

 Depois disso instale o software chamado scrobbler no seu computador

 Terminado esses passos o que acontecerá, toda vez que você tocar uma música ela será “gravada” pela lastfm e passará a fazer parte de sua biblioteca.

 Abrindo o scrobbler você poderá usar a biblioteca da prória lastfm para ouvir uma rádio “personalizada”. Para isso basta digitar entre tag e artista. Exemplo: Se você optar por Tag e digitar metal, a rádio só passará artistas relacionados a metal e se você escolher Artista e digitar, por exemplo, Soundgarden, a rádio passará a executar artistas relacionados à banda digitada.

 Resumindo, é muito legal e quanto mais você ouve mais o seu perfil vai se caracterizando e o site direciona alguns ouvintes (vizinhos) para que você possa se relacionar.

 Vamos lá, experimente!

http://www.lastfm.com.br/user/andrerocks

TOP 10 Guitarristas

Não coloquei nenhum em primeiro lugar, pois cada um guarda uma característica que os colocaria no topo. 

Vamos lá, 

David Gilmour. 

Pela técnica e classe. 

Jimi Hendrix 

Por tudo que fez pela guitarra. 

Steve Ray Vaugham 

Por ter levantado o Blues nos anos 80.

 Eddie Van Halen 

Por ter reinventado a maneira de tocar guitarra.

 Tom Morello 

Por expandir os limites da guitarra.

 Ritchie Blackmore 

Por unir o erudito ao rock, sem deixá-lo chato (no Deep Purple). 

Jimi Page 

Por fazer o Blues virar Heavy.

 Warren Haynes

 Pela manutenção da tradição do Blues/ Rock e pela técnica exuberante.

 Dimebag Darrel 

Por aliar a extrema técnica ao limite da brutalidade e ainda assim tocar na rádio!

 Angus Young

 Simplesmente pela simplicidade, precisa mais?.

Pink Floyd

 Nunca fui muito fã do Pink Floyd. Achava as composições difíceis de assimilar. Gostava do álbum “The Wall” mais por influência do que por vontade própria.

 Em 1994 eu vi um show da banda da turnê Pulse, que viria a ser lançada em DVD mais tarde, transmitido pela TV Bandeirantes com a narração de uma repórter que não me lembro bem e com comentários do André Forastieri, grande crítico musical (http://andreforastieri.com.br/).

 Naquele momento minha concepção a respeito da banda mudou. Talvez pelo grandiosismo do palco, das luzes e efeitos, ou talvez pela forma quase perfeita da execução das músicas ou talvez por tudo isso junto, depois daquele dia deixei os caras mais ricos, pois hoje tenho DVD’s, CD’s e tudo o mais a respeito da banda.

 David Gilmour

 Uma coisa que me deixou estupefato naquele show foi a maneira como o guitarrista e vocalista David Gilmour se manifestava no palco. Praticamente sem se movimentar em cima do palco, ele impunha respeito desfilando uma economia de notas certeiras, cheias de estilo e classe. Dono de uma pegada própria, sem exibir uma técnica extraordinária, mas extremamente eficiente esse senhor inglês fascinou aquele garoto que aprendia os primeiros acordes exatamente naquele ano de 1994. Não à toa a minha guitarra principal hoje é um modelo stratocaster. O que mais fascina na técnica de David é a forma como ele consegue manter o som da nota por períodos longos, sem perda de timbre ou afinação. Outra “manha” é a maneira como ele consegue lidar com vários efeitos (é um pioneiro nessa área).

 Por essas e outras agora fico cada vez mais pobre, pois não contente agora também me sinto na obrigação de acompanhar a obra solo desse que hoje está no top 10 dos meus guitarristas prediletos.

 Confiram:

 http://pt.wikipedia.org/wiki/Pink_Floyd 

http://www.davidgilmour.com 

http://www.gilmourish.com/

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Ouvir Chinese Democracy me aguçou a vontade de ouvir mais Guns. Voltei a escutar Appetite for Destruction e Use Your Illusion 1 e 2 após muito tempo.

 Pura inspiração, deu até saudade daqueles tempos….

Chinese Democracy - 17 anos depois


A expectativa era grande. Afinal, passaram-se longos 17 anos desde o último disco de inéditas.
E a decepção também foi grande. O tempo, o dinheiro, as drogas, o egocentrismo, tudo isso elevado a enésima potência fizeram muito mal a “Chinese Democracy”, do Guns N’ Roses. 
Falta identidade no novo trabalho de Axl Rose e escudeiros. E quantos escudeiros! Nos créditos do disco, só de guiatrristas são cinco!: Paul Tobias, Robin Finck, Buckethead, Ron “Bumblefoot” Thal e Richard Fortus. Soma-se a eles os dois tecladistas, Dizzy Reed (esse, companheiro de longa data e o único membro das antigas fiel a Axl) e Chris Pitman, Tommy Stinsom no baixo mais os dois bateristas, Frank Ferrer e Brain.
 Voltando a identidade, o álbum é uma salada. Slash e Izzy Stradlin, no auge do Guns, injetavam doses cavalares de Hard, Metal e Punk Rock nos solos, riffs e demais passagens guitarristicas das músicas fazendo com que elas apresentassem uma identidade própria e casassem com a voz de Axl. O baixo de Duff e a bateria de Steven e depois de Matt serviam de apoio para formar o que se convencionou-se chamar de Guns N’ Roses. 

O que se vê nesse disco é que a identidade das músicas está, principalmente nas guitarras, associadas a quem as toca. Se a guitarra está nas mãos de Buckethead percebemos que o lado industrial, virtuoso está em evidência, assim com Robin Finck. O lado mais clássico fica a cargo de Ron “Bumblefoot” e assim por diante. 
O que se percebe nesse novo trabalho é a ausência de “pegada”. Os músicos são extraordinários e o que se ouve é um desfile de virtuosismo, mas em momento algum empolga a ponto de você dizer: - “Uau!!!, aí sim.” 
Mas nem tudo está perdido...... Existem faixas boas em “Chinese Democracy”. O Álbum começa bem com a faixa homônima, e mantém o ritmo nas faixas 3 “Better” que poderia muito bem servir de base para esse novo caminho musical da banda, 4 “Street Of Dreams” uma balada e a que mais se aproxima do que o Guns era e a faixa 6 “There Was Time” uma meia balada, se podemos chamá-la assim.
 Aliás, balada é uma forma legal de chamar o disco uma vez que ele é comportado demais para os padrões normais que acostumamos ouvir no Guins N’ Roses. Quase todas as músicas são muito lentas, abusam de efeitos eletrônicos e de produção. Produção que tecnicamente é perfeita, esmerada, mas que não salva o disco de afundar no ego do seu idealizador. 
Para um grande fã de Guns N’ Roses, fica difícil esconder a decepção de ouvir “Chinese Democracy” mas olhando lá atrás, na faixa “My World” de Use Your Illusion 2, já era de esperar tanta eletrônica e efeitos nesse disco. Infelizmente não estamos nos anos 90 e tais artifícios soam um pouco datados no hard rock atual. Talvez se Axl tivesse lançado esse disco logo após a saída dos outros integrantes e ao longo dos anos fosse moldando o som do Guns ele poderia, hoje, ter uma banda com a sua cara e sem tanta pressão envolvida.
 Mas ainda há tempo, será?

Ouça o disco na íntegra abaixo e dê a sua opinião.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Oasis - Dig Out Your Soul

Deve ser foda a cobrança depois de lançar não só um, mas dois dos álbuns mais celebrados de uma geração. Mesmo sendo os "temidos" irmãos Gallagher.

 Pois Liam e Noel podem dormir sossegados, pois “Dig Out Your Soul”, o mais recente lançamento do Oasis prova que a dupla ainda tem bala na agulha. 

Depois dos irregulares “Standing On The Shoulders of Giants” (2000) e “Heathen Chemistry”(2002) os irmãos ingleses surpreenderam a todos com o lançamento de “Don’t Believe The Truth” (2005), álbum que mostrou a já não tão nova formação da banda muito bem entrosada e com uma sonoridade que em nenhum momento lembrava a parede sonora pela qual a banda ficou conhecida. Talvez esse fato seja a conseqüência da liberdade de composição dada a Noel para os demais integrantes da banda, que seja.

 Apesar de insensado pela crítica, “Don’t Belive The Truth” não tinha a “pegada” dos dois primeiros álbuns da banda. Mais uma vez o fantasma da cobrança cobria os sonos de Noel, Liam e CIA.

 E não é que “Dig Out Your Soul” dissipou esse fantasma??. Veja bem, dissipou, pois nunca um disco do Oasis superará “Definitely Maybe” (1994) ou “(What’s The Story) Morning Glory?” (1995). Os tempos eram outros e os álbuns, a atitude da banda, tudo “casava” de forma a construir essa fama, essa história..... 

Mas voltando a “Dig Out.....” O álbum é excelente. A banda mostra-se madura, segura de si. As composições são ótimas, começa muito bem com “Bag It Up” e não perde o pique em momento algum. Você nota que um disco é bom quando ele acaba e você fica com gostinho de quero mais, tira os fones e o som da banda ainda fica na sua cabeça, grudada (escute o riff matador de "The Nature Of Reality" para ter essa sensação). Poucas bandas conseguem esse efeito e o Oasis é uma dessas.

 Noel continua com a maioria das composições, mas como demonstrou explicitamente em “Don’t Believe....” já não tem mais a mão de ferro deixando Liam, Gem e Andy mostrarem que também conseguem extrair boas melodias e letras como em “I’m Outta Time”, "Ain't Got Nothin'" e "Soldier On"   de autoria de Liam, "To Be Where There's Life"  de autoria de Gem e "The Nature of Reality"  de Andy Bell.

 Não há muito mais o que dizer, agora só o tempo dirá se realmente “Dig Out Your Soul” representou ou não a volta a boa forma dos irmãos de Manchester já não tão revoltados, mas ainda assim os mais mal vistos da história do rock n’ roll atual. O que importa é que continuam fazendo barulho, e dos bons!!!

Rory Gallagher

Nunca diga que sabe de tudo, porque ninguém sabe, de nada....

Conheci esse excelente guitarrista, vocalista e compositor quando achava que já tinha ouvido de tudo. Até que um belo dia um cara começou a trabalhar na empresa na qual trabalho, no mesmo setor, na mesma função. Claro que o assunto seria rock n’ roll!. Me perguntou se eu conhecia um cara chamado Rory Gallagher, é Sandrão valeu pela dica.....

Não vou tecer comentários a respeito da vida e obra desse excelente guitarrista, pois na net encontra-se muita coisa sobre o cara (links no fim do post). Deixo aqui apenas o que sinto quando ouço algo que tem o dedo desse guitar hero. 

Honestidade, simplicidade, energia. Esses são alguns adjetivos que podem descrever um pouco a forma como as composições desse irlandês típico pegam os seus ouvintes, é difícil não assobiar, não mexer o corpo ou simplesmente não sair cantando as músicas compostas por Rory.

 Morto em 1995 devido a uma infecção hospitalar, Rory Gallagher é o exemplo do trabalhador do rock, uma pessoa fiel as suas origens que mesmo assim conseguiu deixar a sua marca na música popular mundial. 

Mais informações: 

http://lagrimapsicodelica.blogspot.com/2007/12/rory-gallagher-discografia.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rory_Gallagher 

http://www.fender.com/customshop/instruments/search.php?partno=0150080800

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Warren Haynes




Warren Haynes, nascido em 06 de Abril de 1960, esta hoje de acordo com a revista Guitar Player no 23 lugar entre os melhores guitarristas de todos os tempos. Dono de uma técnica fantástica aliada a muito feeling, Warren transcende estilos e deixa a sua marca por todos os projetos em que passa.

Logo aos 20 anos de idade juntou-se à banda de David Allan Coe e, por anos, plantou suas sementes mundo afora ganhado a simpatia e respeito de diversos artistas de peso. Um desses artistas, Dickey Bets, encontrou Haynes em excursão com Coe e esse encontro mudaria a vida de ambos mais tarde.

Após anos de acompanhamento, Warren sai da banda de David Alan e monta duas bandas, uma em sequência da outra, Rich Hippies e The Nighthawks. Em paralelo faz diverso trabalhos em estúdio sendo o mais premiado comercialmente a co-autoria do hit "Two of A Kind, Workin' on a Full House"do álbum No Fences, de Garth Brooks que ficou no número 1 das paradas de single por vinte semanas.

Em 1987 é convidado a fazer backing vocal no álbum solo de Dickey Bets (The Allman Brothers Band), porém quando Bets reconhece Warren o convida para tocar guitarra na sua banda. Em 1988 Bets lança o álbum "Pattern Disruptive".

O ano de 1989 é lembrado pela volta do The Allman Brothers Band e, devido ao ótimo trabalho feito com Dickey Bets, Warren Haynes é convidado a integrar a lendária banda como membro fixo.

Desde então a rotina de Warren Haynes tem sido a gravação e excursão com o TABB e também a dedicação (desde 1994) ao Gov’t Mule, sua mais bem sucedida banda.

Famoso no meio artístico tanto pela sua ótima técnica (na guitarra, no violão e slide) e também pela sua inesgotável energia Haynes emenda um projeto ao outro, como o seu show beneficente de natal que agora serão em duas noites e a sua carreira solo (ouçam Live at Bonnarro depois comentem....).

Tido por muitos como o artista mais trabalhador do rock, Warren Haynes nos coloca no prato porções do mais clássico e saboroso rock.

Mais informações visitem:

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Gov't Mule

O que era para ser uma banda somente para preencher o vazio da agenda de um grupo de excelentes músicos profissionais tornou-se uma dos maiores grupos de Southern Rock dos EUA.
Em 1994 Warren Haynes, então guitarrista da Allman Brothers Band e Allen Woody, baixista da mesma banda uniram-se a Matt Abts baterista conceituado por ter tocado com Dickey Betts, Chuck Leavell, Mick Taylor, entre outros e juntos formaram o Gov`t Mule.

Como dito anteriormente a banda era apenas um projeto paralelo para que seus integrantes pudessem extravasar e fazer o que mais gostavam, improvisos. Rock, Fusion, Funk, Blues, é possível identificar todas essas influências no som dos caras sem que nenhum ritmo roube o espaço do outro. Tudo caminha na mais pacífica organização, graças principalmente ao “feeling” dos integrantes.
Naturalmente tinha que sair um registro em estúdio da banda que tinha os shows cada vez mais concorridos. O primeiro disco, homônimo, saiu em 1995 e mostrava a banda quase exatamente como nas apresentações, seca, direta, com letras inspiradas e covers irreconhecíveis (vide “Mother Earth”). Depois disso a banda lança o primeiro registro ao vivo (muito justo visto a fama dos caras no palco). “Live at the Roseland Ballroom “é lançado em 1996 e tem seis faixas (na versão de 2007 tem 7 – com o cover de “Voodoo Chile”-). Destaque para a fantástica “Kind of Bird”.

Em 1998 lançam o que para mim é o melhor álbum da banda. “Dose” começa com “Blind Man In the Dark” e um riff de guitarra que é ao mesmo tempo simples, pesado, melódico e magistral.... O baixo de Allen bate como um martelo as passagens deixadas pela guitarra e a bateria de Abts completa o ataque sonoro que vem como uma chuva de balas nos nossos ouvidos. A partir de “Thorazine Shuffle” as improvisações começam e a influência do Fusion se mostra muito aparente no som da banda. E após a homenagem a Thelonius Monk e Jeff Beck na deliciosa “Thelonius Beck”, o desfile de riffs de guitarra e baixo em “Game Face”, é hora de se deliciar com a guitarra de Warren chorando (difícil não chorar junto) em “Towering Fool”. Nessa música percebe-se a habilidade de Haynes tanto na hora de compor como na hora de interpretar suas canções. Warren Haynes, um músico completo. Outros destaques do disco são o cover dos Beatles “She Said, She Said” e a pesada” Larger Than Life”.

1999 é o ano de mais um lançamento ao vivo. “Live... Whit A little Help From Our Friends” tem a participação de Marc Ford, Chuch Leavell, Bernie Worell, Derek Trucks, entre outros e fazem uma apresentação que dura mais de 4 horas!!!. Inicialmente lançam um CD duplo dessa apresentação mas logo em seguida soltam um Box com o show na íntegra (4cds).

O ano 2000 tem um gosto amargo na lembrança do Gov`t Mule. Nesse ano lançam o terceiro disco de estúdio, "Life Before Insanity" e tragicamente encontram o baixista Allen Woody morto em um quarto de hotel em Nova Iorque. As causas da morte não são divulgadas e a banda, que já tinha muito material pronto para o quarto disco, chama diversos baixistas e lança em 2001 "The Deep End - Volume 1" praticamente um tributo ao amigo falecido. Nesse disco é possível encontrar nomes de peso das quatro cordas como Jack Bruce, Flea, Mike Watt, Roger Glover, John Entwistle e Bootsy Collins. Em 2002 vem a sequência “The Deep End – Volume 2” mais uma vez com convidados mais do que especiais como Jason Newsted, Les Claypool, Meshell Ndgeocello. Nesse disco está uma das canções mais lindas que eu já escutei, interpretada de forma esplendorosa pela banda, “Hammer And Nails”.

O diretor Mike Gordon, em 2003, registrou esse encontro de mestres no DVD “Rising Low”. No mesmo ano é lançada a versão ao vivo dos dois discos, o CD/DVD “The Deepest End” é o registro de mais de cinco horas de show aonde se revezaram no baixo diversos dos artistas listados nos dois discos.

A partir de 2004 a vaga de baixista fica fixa com a chegada de Andy Hess e a banda começa a contar com um tecladista, Danny Louis. No mesmo ano a banda lança “Dejà Voodoo”, com destaque para a sequência dançante de “Slackjack Jezebel” e “Lola Leave Your Light On”.

Em 2006 é lançado o que para mim é o álbum mais comercial da banda. High & Mighty tem da primeira a última música qualidades para ser tocado em qualquer rádio de qualquer país do globo. Talvez por isso tenha sido criticado por fãs de longa data que disseram esse ser um disco preguiçoso. Para mim não, é um disco excelente e sinceramente chamar uma banda que já tem mais de 1300 shows na carreira de preguiçosa é uma puta falta de consideração. Como amostra da força desse disco cito a porrada “Brand New Angel” e a linda “Nothing Again”.


Na sequência de “High & Mighty” a banda lança a versão dub do disco. Isso mesmo, dub!!. Essa até eu fiquei desconfiado, e a banda ganhou mais respeito ainda da minha parte após a audição do disco. “Mighty High” é fantástico!!. A guitarra de Warren permeando as músicas com o baixo no último volume desconstruindo faixas para construir outras novas e cativantes. É impossível ficar parado ao ouvir esse disco. Ótimo resultado confirmando o talento musical de todos da banda.

A atual formação do Gov`t Mule conta com Warren Haynes na guitarra e vocal, Matt Abts na bateria mais o tecladista Danny Louis. A novidade fica por conta do novo baixista Jorgen Carlsson, substituto de Andy Hess que saiu da banda a procura de novas oportunidades.

Esse ano de 2008 terminará com a banda fazendo uma série de shows na cidade de Nova Iorque. Nos dias 27 e 28 de Dezembro tocarão um set acústico no Angel Orensanz Center e nos dias 30 e 31 tocarão, agora eletrificados, no Hammerstein Ballroom.
2008 também marcou o lançamento de outro DVD da banda intitulado “A Tale of Two Cities” ainda com Andy Hess no baixo.

Pois é, o que era para ser uma descontração entre amigos se tornou numa banda com 11 discos (entre ao vivo e estúdio), três DVDs e muita contribuição para o rock, blues, enfim, para a música mundial.
Detalhe. Em 1996 o gov`t Mule esteve no Brasil para shows no Rio de Janeiro, São Paulo e porto Alegre. Nessa ocasião a banda viajou para participar do saudoso Nescafé Blues Festival.

sábado, 8 de novembro de 2008

Dica - High On Fire

Ainda não ouvi nenhum álbum inteiro dessa banda, mas pelas músicas que ouvi no My Space, vídeos que assisti no Youtube e da guitarra de 9 cordas! do Matt Pike....... PORRADA!

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Heavy Metal - Mais vivo do que nunca

Não é de hoje que ouvimos que o Metal morreu, fugiu das origens e tal. Tudo besteira!
É só ouvir duas bandas que colocarei nas linhas abaixo para perceber que o bom e velho Heavy Metal está bem vivo e respirando sem a ajuda de “aparelhos” que não sejam: boa dupla de guitarras, baixo e bateria sincronizados e um vocalista que assuma a sua função.

Trivium

Banda de Orlando, Flórida, formada em 2000 que leva o Heavy Metal à base das suas origens, com solos marcantes, vocal agressivo (impossível não comparar com James Hetfield do Metallica) e letras bem sacadas (fugindo um pouco da máxima “letras ligadas a aventuras da idade média e ligações com o lado negro religioso”) tocando em temas sócio econômicos e culturais atuais.
O auge da banda aconteceu com “The Crusade”, álbum lançado em 2006 que foi sucesso de crítica e público, levando a banda a dividir palco com Korn e especialmente Metallica, banda que é referencia e cultuada pelos rapazes.
Atualmente A banda lançou seu quarto álbum de estúdio “Shogun” que honestamente ainda não ouvi, mas que já está dando o que falar (resenha do mesmo logo, logo).

Black Tide

Dando o que falar está essa banda, formada em 2004 em Miami, Flórida (será um novo celeiro?) que tem na sua formação três dos quatro integrantes latinos.
Com influências claras de todas as fases do metal e hard rock dos anos 80 o Black Tide prima pela presença radiofônica das suas músicas e também pela primazia técnica dos seus integrantes. É a grande promessa americana para o Heavy Metal.
O seu álbum de estréia “Light From Above” conta com um ótimo single “Shockwave”. A banda promete muito já que tem um ótimo contrato com a “Interscope Records” e atuamente dividiu palco do Ozzfest com grandes nomes do metal atual.

Coloquei aqui esse breve resumo de duas das minhas atuais “favoritas” pois ficou puto quando ouço que o metal ta caindo, que é coisa de retardado e tal. Sinceramente adoro Heavy Metal e sei que dentro do estilo tem bandas chatas e ruins, mas nunca direi que está morto. Essas duas bandas mostram que existe vida inteligente dentro do universo do Metal.

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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

DVD - Metal - Uma Jornada Pelo Mundo Do Heavy Metal

Acabo de assistir a uma aula sobre o Heavy Metal, suas origens e ramificações. O DVD “Metal – Uma Jornada Pelo Mundo Do Heavy Metal”, escrito e digirido pelo antropólogo e metaleiro canadense Sam Dumm traça um perfil justíssimo de uma tribo até hoje marginalizada e colocada de escanteio pela cultura musical mundial.

No DVD Sam é extremamente didático sem ser um chato e nos coloca dentro do mundo do heavy metal. É muito legal ver o nervosismo dele quando vai entrevistar o seu ídolo Bruce Dickinson ou a paciência de um já velhinho Ronnie James Dio ao responder todas as perguntas em um festival e ainda convidar o pessoal do documentário para uma visita a sua casa.

Esclarecedoras também são as entrevistas com Tommy Iommi e Allice Cooper assim como divertidíssima é a entrevista de Lemmy (veja os extras no DVD 2).

Sam ainda compra uma boa briga ao destacar o black metal norueguês e o seu extremismo contra o cristianismo, isso também deu um mini documentário muito bom no disco 2 chamado “Black Metal Noruegues”.

Ainda temos entrevistas com o pessoal do Canibal Corpse, Mayhen (hilária!), Arch Enemy, Rob Zombie, Tom Morello, entre outros.

“Metal”é item essencial na prateleira de todos, não só os fãs do gênero, mas todos aqueles que apreciam música e querem entender como ela transforma a sociedade desde que o homem descobriu que suas habilidade iam muito além de caçar e procriar.

Metallica - Death Magnetic

Desde “And Justice For All” o Metallica não era tão Metallica quanto agora com “Death Magnetic”.

Após o lançamento do “Black Album” a banda entrou num espiral de emoções que culminou no excelente documentário “Some Kind of Monter” e no lançamento do disco “St. Anger” de 2003.

O Black álbum foi um divisor de águas na história do metal. Ali se mostrou que música pesada também pode ser tocada na rádio e fazer muito sucesso comercial. Mas tudo tem seu preço. O “polimento” dado a algumas músicas e o imenso sucesso de tudo aquilo fez os integrantes da banda pirar a ponto de praticamente se separarem (assistam o documentário, vale a pena).

Citei no parágrafo acima o tal polimento dado as músicas e é exatamente isso que não se percebe nesse excelente “Death Magnetic”. A banda parece estar mais solta, coesa e acima de tudo mais “banda”. Não parecem mais querer mostrar que são uma banda de metal (fato que realmente chegou-se a cogitar após o lançamento de “Load”e “Reload”). Nem precisam de auto afirmar como se percebe em “St. Anger”.

É engraçado, após todos esses anos, ouvir a voz de James e não traçar um paralelo com o início da carreira dos rapazes. Ele alcançou uma primazia no seu vocal que o distancia um pouco do trash metal. Sua voz soa agradável quando você menos percebe e mesmo nos momentos mais nervosos do disco nota-se como ele consegue segurar o timbre e transmitir a emoção necessária para cada faixa.

Kirk finalmente voltou a ser o Kirk que conhecemos, dedilhando sua guitarra com uma classe que chega a dar arrepios. O cara está muito à vontade, há tempos não escuto solos tão bem elaborados e bem encaixados com os temas das músicas. O que faltou em “St. Anger” aqui temos de sobra.

Lars continua com suas limitações ao manusear as baquetas mas não atrapalha, o que já é um grande passo.

E, na minha opinião, o que tem se mostrado a força do Metallica nesses últimos anos, o baixo de Robert Trujillo. O cara é um monstro!. Toca demais, não é espalhafatoso e segura muito bem a cozinha junto com Lars, deixando Kirk e James livres e soltos para mostrar todo o valor da banda em músicas que certamente ficarão na história.

Não acho que “Death Magnetic” seja uma volta as origens para o Metallica pois para isso a banda teria que ignorar todo o sucesso alcançado nesses últimos anos e descartar todas as influências adquiridas com os discos lançados pós “And Justice...”. O que encaro como realidade é que a banda está mais focada e coesa no que sabe fazer melhor, barulho!!!!

Viva o Metal!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Emocore (pequeno ensaio)


Sempre tive dificuldade em assimilar rótulos musicais. Punk, Headbanger, Grunge, Gótico..... . Para mim são todos derivados de um único estilo, o rock. Mas a imprensa e o público leigo em geral precisam de uma referência e então entram os mal fadados rótulos. 

É aí que entra o Emocore. Emocore????. Mas que diabos?. Para quem não se habituou a assimilar o que a palavra significa é a união das palavras “Emotional” e “Hardcore”.

Tecnicamente o “estilo” surgiu no final dos anos 80 com bandas que, tocando um hardcore como conhecemos (rápido e gritado), começaram a colocar nas suas letras temas mais sentimentais e situações pessoais mais reservadas, o que levava o estilo (hardcore) para outro caminho. 

Amantes do hardcore tradicional e “roqueiros” das antigas torcem o nariz para o “movimento” uma vez que o apelo visual dos meninos é extremamente andrógino (totalmente inspirado em David Bowie anos 70 e mais recentemente no visual de bandas com Placebo) e as letras são um tremendo mela cueca. Mas aí é que ta o negócio. Vale a pena criticar os “Emos”?. 

Na minha opinião não. Essa galera de hoje são os grunges dos anos 90 e me lembro bem do pessoal da mídia descer o sarrafo em bandas e fãs da época dizendo que eram nada mais nada menos uma cópia mal feita do rock setentista. Ok, ok, a qualidade musical desceu muito o nível de lá pra cá, mas guardando as proporções, discos bons estão sendo feitos pela molecada de hoje em dia. 

Um bom exemplo disso é “Welcome to the black parade” disco de 2006 do My Chemical Romance. A banda, liderada pelo vocalista Gerard Way criou um disco conceitual, quase uma ópera rock, totalmente consistente e com apelo juvenil próprio para a época em que vivemos.

 Outro bom exemplo é “Pretty Odd” do Panic At The Disco. Ouvi apenas algumas músicas do disco, mas posso afirmar que a banda está no caminho certo avaliando e transformando o rock conforme as necessidades de tempo e espaço no meio musical. 

Tenho que admitir o meu estranhamento com relação as bandas acima a primeira audição e visualização. Achei extremamente teatral todo o aparato das bandas e as letras e músicas um pouco forçadas demais. Mas foi só esperar o amadurecimento e encontramos verdadeiras jóias nos trabalhos mais recentes. 

Não posso avaliar o mercado brasileiro, pois estou extremamente distante do cenário atual, mas o que tenho ouvido e visto, com relação ao emocore,  não tem me agradado muito. 

Independente se é bom ou ruim temos que respeitar o gosto desses garotos e garotas, pois é muito saudável ter na adolescência bandas e de certa forma um “movimento” que salve-guarde-nos das pressões diárias relativas a essa idade. É desse período que eles se lembrarão para o resto de suas vidas. 

Muita, mas muita coisa ruim vem junto com bandas boas dentro de “movimentos” criados por fãs e gravadoras, mas dentro desse lixo encontram-se boas novidade e bandas que ficarão marcadas no tempo como percussoras e formadoras de estilo e comportamento.

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Spirit - Trailer addict

Você se lembra do Spirit, não??

então dá uma olhada no link abaixo:

http://www.judao.com.br/cinema/veja-um-video-de-introducao-ao-mundo-de-the-spirit/

AC/DC - Black Ice (pequena resenha)

Ainda estou ouvindo “Black Ice”, o novo disco da banda australiana AC/DC, mas não agüentei e tenho que escrever imediatamente o que estou sentindo. Acaba de começar a música “War Machine”e pra mim o disco já poderia ter acabado. Não, não achei o disco uma porcaria, muito pelo contrário, o disco é muto bom!!!!. Por isso mesmo, só uma pequena dose dele já te faz ficar com aquela cara de espanto pensando: “-Como podem, um bando de tiozinhos fazer um som tão bom depois de décadas tocando o mesmo som????”. Pois bem, Angus, Malcom e CIA fazem o que sabem fazer melhor, riffs matadores, solos precisos e letras que grudam na sua cabeça.

O que começa a tocar agora é “Smash ‘N`Grab”. A voz rouca de pato de Brian Johnson parece nunca mudar. Apesar dos anos de abuso o “tiozinho” dá pau em muitos moleques metidos a roqueiros de hoje em dia. A bateria precisa e o baixo discreto servem de base para as guitarras de Malcom e Angus desfilarem um som contagiante e até certo ponto viciante, você simplesmente não consegue parar de ouvir.


Faixas que não chegam aos cinco minutos, cheias de energia e baseado no mais perverso blues já criado no planeta, discaço!


Neste ponto do CD estou na faixa “Rock n’ Roll Dream”, a “balada” do disco e candidata máxima a se tornar histórica.


Black Ice, a faixa título fecha o álbum com chave de ouro com um riff dos mais safados e por isso mesmo clássico até o caroço!


Li gente dizendo que este é o melhor álbum dos caras desde “Back In Black”, é muita responsa..... Mas com certeza é o melhor desde “The Razors Edge” de 1990.


AC/DC, muito obrigado por nos dar a oportunidade de ainda sonhar em ter um rock n’roll de raiz, de qualidade e mais do que tudo, forte e alto!.

P.S.: Alandre valeu pela dica!

Mais informações visitem:
http://www.acdc.com/

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Anos 90 - Rock Inglês

Em 1995 eu estava fazendo cursinho, pois queria entrar em uma universidade pública. Dentro do curso aprendi muitas coisas, mas o que levei de lá mesmo foi uma tremenda aula de como se fazer um bom rock inglês. Os amigos que encontrei lá eram muito diferentes do colégio, gostavam de uns sons mais malucos, menos pesados mais não menos geniais. Foi com esse pessoal que conheci The Smiths, The Cure, The Who entre outras..... 

Na época eu lia a revista Bizz e vi, num pequeno quadradinho, uma ponta de matéria sobre uma banda que começava a bombar na Inglaterra, era composta de dois irmãos geniosos e extremamente temperamentais, os irmãos Gallagher. A banda, Oasis. 

Demorou um tempinho até eu ouvir um som dos caras mas quando ouvi..... “Supersonic” entrou pelos meus ouvidos exatamente como o nome da música sugeria. Mais uma vez eu estava apaixonado por um gênero até então desconhecido de rock (para mim). 

A avalanche do que chamaram “Brit Pop” foi pesada. Oasis explodiu com “Wonderwall”, o Blur, outra banda da Inglaterra que fazia um som mesnos rock e mais pop, mas não menos talentosa, lançava “Girls And Boys” e puxava a corda para eles. A briga dos dois líderes, Damon Albarn do Blur e Noel Gallagher do Oasis ficou escrita na história depois que o guitarrista do Oasis disse que Damon e Alex do Blur deveriam morrer de AIDS. 



Outras bandas deram as caras e lucraram com o momento, bandas com músicos incríveis e com composições maravilhosas, The Verve, Radiohead, Manic Street Preachers, Charlatans UK, Pulp, Suede, Palcebo dominaram as paradas dessa metade dos anos 90. 

Como todo “movimento” movido pela indústria fonográfica o Britpop perdeu força e hoje segue com as bandas daquela época lotando estádios na Inglaterra e invariavelmente colocando hits nas paradas mundiais. 

Obs.: Oasis em S.P. EU FUI (nas duas vezes!)! 

Abraço.....

 
P.S. - Britpop, maiores informações visitem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Britpop

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Anos 90 - Rock Brazuca

No início dos anos 90 o rock nacional teve uma injeção de ânimo com bandas como Planet Hemp, Skank e, para mim, principalmente os Raimundos. Essas bandas junto com Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A., Maskavo Roots, Devotos do Ódio e muitas e muitas outras mostraram para mim que rock brazuca não se limitava a bandas dos anos 80. O rock nacional estava vivo e pulsante.
Foi uma época muito boa para a música nacional. A MTV Brasil estava em constante crescimento, a nossa moeda estava cada vez mais forte e o sentimento de otimismo com relação ao país fez com que os jovens brasileiros pudessem relaxar e curtir uns sons despreocupados se amanhã teriam dinheiro para o pão.
Foi nesse ambiente que eu estava crescendo. Já não era mais uma criança, mas ainda era um garoto, que não tinha noção do que acontecia e apenas continuava minha jornada de descobrimento com relação ao bom e velho rock n’roll.
Essas bandas que relacionei acima têm cada uma a sua maneira, uma forte influência ao meu modo de pensar o rock, que cada vez mais, se desprendia do radicalismo e se abria para uma diversidade que, musicalmente, era muito saudável e rica para mim.Planet Hemp me fez olhar o Rap, tão forte nas letras e rimas, o Skank me fez prestar atenção na qualidade do rock pop nacional, os Raimundos e Devotos do Ódio me apresentaram o punk, hardcore, Chico Science e Nação Zumbi junto com Mundo Livre S.A. mostraram o quão diverso e rico pode ser o nosso rock se não nos esquecer-mos que somos brasileiros.

Essas bandas surgiram num cenário muito favorável, tanto pelo lado comercial quanto pelo lado social e mudaram não só a minha como a cabeça de todos os jovens antenados em música daquela época. E ainda tinha muito mais por vir.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Camisas de flanela - parte 3


Comecei a estudar na escola profissionalizante em Fevereiro de 1992. Em Maio do mesmo ano consegui um patrocínio de uma empresa que funcionava da seguinte forma. Eu trabalhava nas férias escolares e recebia o ano inteiro!. Basicamente eu recebia para estudar. Para mim era uma maravilha, eu tinha o meu próprio salário.

No final de 1992 eu já tinha me rendido totalmente ao som de Seattle. Na minha vitrola só passavam bandas de lá. Não que eu tinha me esquecido dos clássicos mas os anos de 1992 e 1993 foram de total prioridade para o som “grunge”.
Com o meu dinheiro eu fui a festa. Comprei discos de todas as bandas importantes da época, Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden, L7 e muitos outros que até hoje estão em algum lugar na casa da minha mãe.

Em 1994 eu já tinha terminado a escola profissionalizante, já trabalhava como efetivo na empresa que me ajudou e estava no último ano do colegial. O movimento das bandas de Seattle tinha dado uma esfriada, mas as bandas continuavam a fazer sucesso e lançar disco. Foi nesse ambiente que veio a notícia. Kurt Cobain tinha dado um tiro na cabeça. O líder grunge tinha morrido. Foi um baque para todos. Era conhecido que Kurt não lidava muito bem com esse lance de hiper sucesso, o hype dele era subir no palco e extravasar os conflitos existenciais que ele tinha na sua vida. Depois da morte dele muitas de suas letras ficaram mais claras quanto a significados e identificação com pessoas próximas a ele.


Depois da morte do líder do Nirvana o grunge sumiu, sumiu das paradas, das rádios, da TV, de tudo e qualquer lugar que você imagina. Só fãs acompanham as bandas que até hoje lançam discos e fazem turnês. A do Pearl Jam pela América do Sul foi um sucesso e uma catarse (eu estava lá!). Para mim esse período foi o que eu mais me interessei em termos de musicalidade e atitude. Eu estava no centro do furacão. Como disse uma vez o jornalista Álvaro Pereira Júnior na coluna “Folhateen” do jornal “Folha de São Paulo” – ‘As bandas que conhecemos e admiramos na nossa adolescência são as que levaremos para o resto de nossas vidas’.
O grunge podia estar adormecido (nunca morto) mas o rock estava muito vivo, e eu também....

Camisas de flanela - parte 2


Com o final do ano letivo eu perdi quase que totalmente o contato com os amigos do colégio. A maioria foi para as viagens de final de ano e logo depois ingressara em escolas técnicas.
Eu por minha vez fiquei em casa esperando o início das aulas na escola profissionalizante. E enquanto aguardava fui testemunha da última revolução do rock.



Não sei como, mas consegui fazer a MTV funcionar em casa, a transmissão UHF era muito ruim, mas dava para ver alguma coisa entre os fantasmas que apareciam de um lado para o outro.
Foi nessa tranqueira e com o “Clip Trip” (também tenho que dar o crédito a “Folha de São Paulo”e a revista “Bizz”) que descobri o que era o “Grunge”. Um “movimento” vindo da cidade de Seattle ao norte dos EUA com jovens que privilegiavam o som acima de tudo. O visual aproximava-se do punk (pelo desleixo) e o som variava de banda para banda. Algumas soavam clássicas (Pearl Jam), outras soavam punk alternativa (Mudhoney) e algumas soavam pesadas como as bandas de metal (Alice in Chains e Soundgarden). E outras não soavam com nada disso ou tudo isso junto. Era o caso do Nirvana.
O engraçado é que o único disco que tenho do Nirvana é o ”Unplugged in New York”, acho que na verdade eu nunca fui muito fã do Nirvana, respeitava a banda por ser a que estourou e trouxe para mim todas essas citadas acima.


Até esse momento, início de 1992, eu estava acompanhando tudo pelo que as rádios mandavam (89fm e 97fm), pelo que os jornais e revistas escreviam e pelo que a TV mostrava. Na época não tinha internet então tínhamos que “correr” atrás da informação.
Eu ficava o dia inteiro na escola profissionalizante , entrava às sete da manhã e saía às quatro da tarde. Como complemento eu fazia o colegial à noite. Dentro desses “centros de educação” era aonde eu me abastecia de informações e curiosidades. Foram nesses lugares que descolei o “Nevermind” (Nirvana) e o “Bricks Are Heavy” (L7) para gravar, conseguia informações que não obtinha nos meios tradicionais e ia tentando organizar tudo dentro da minha cabeça.
Eu estava apaixonado por esse som. Não sei se porque era o ápice da minha adolescência, mas eu pirava com o som que Pearl Jam, Nirvana e CIA estavam fazendo.