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quinta-feira, 30 de outubro de 2008

DVD - Metal - Uma Jornada Pelo Mundo Do Heavy Metal

Acabo de assistir a uma aula sobre o Heavy Metal, suas origens e ramificações. O DVD “Metal – Uma Jornada Pelo Mundo Do Heavy Metal”, escrito e digirido pelo antropólogo e metaleiro canadense Sam Dumm traça um perfil justíssimo de uma tribo até hoje marginalizada e colocada de escanteio pela cultura musical mundial.

No DVD Sam é extremamente didático sem ser um chato e nos coloca dentro do mundo do heavy metal. É muito legal ver o nervosismo dele quando vai entrevistar o seu ídolo Bruce Dickinson ou a paciência de um já velhinho Ronnie James Dio ao responder todas as perguntas em um festival e ainda convidar o pessoal do documentário para uma visita a sua casa.

Esclarecedoras também são as entrevistas com Tommy Iommi e Allice Cooper assim como divertidíssima é a entrevista de Lemmy (veja os extras no DVD 2).

Sam ainda compra uma boa briga ao destacar o black metal norueguês e o seu extremismo contra o cristianismo, isso também deu um mini documentário muito bom no disco 2 chamado “Black Metal Noruegues”.

Ainda temos entrevistas com o pessoal do Canibal Corpse, Mayhen (hilária!), Arch Enemy, Rob Zombie, Tom Morello, entre outros.

“Metal”é item essencial na prateleira de todos, não só os fãs do gênero, mas todos aqueles que apreciam música e querem entender como ela transforma a sociedade desde que o homem descobriu que suas habilidade iam muito além de caçar e procriar.

Metallica - Death Magnetic

Desde “And Justice For All” o Metallica não era tão Metallica quanto agora com “Death Magnetic”.

Após o lançamento do “Black Album” a banda entrou num espiral de emoções que culminou no excelente documentário “Some Kind of Monter” e no lançamento do disco “St. Anger” de 2003.

O Black álbum foi um divisor de águas na história do metal. Ali se mostrou que música pesada também pode ser tocada na rádio e fazer muito sucesso comercial. Mas tudo tem seu preço. O “polimento” dado a algumas músicas e o imenso sucesso de tudo aquilo fez os integrantes da banda pirar a ponto de praticamente se separarem (assistam o documentário, vale a pena).

Citei no parágrafo acima o tal polimento dado as músicas e é exatamente isso que não se percebe nesse excelente “Death Magnetic”. A banda parece estar mais solta, coesa e acima de tudo mais “banda”. Não parecem mais querer mostrar que são uma banda de metal (fato que realmente chegou-se a cogitar após o lançamento de “Load”e “Reload”). Nem precisam de auto afirmar como se percebe em “St. Anger”.

É engraçado, após todos esses anos, ouvir a voz de James e não traçar um paralelo com o início da carreira dos rapazes. Ele alcançou uma primazia no seu vocal que o distancia um pouco do trash metal. Sua voz soa agradável quando você menos percebe e mesmo nos momentos mais nervosos do disco nota-se como ele consegue segurar o timbre e transmitir a emoção necessária para cada faixa.

Kirk finalmente voltou a ser o Kirk que conhecemos, dedilhando sua guitarra com uma classe que chega a dar arrepios. O cara está muito à vontade, há tempos não escuto solos tão bem elaborados e bem encaixados com os temas das músicas. O que faltou em “St. Anger” aqui temos de sobra.

Lars continua com suas limitações ao manusear as baquetas mas não atrapalha, o que já é um grande passo.

E, na minha opinião, o que tem se mostrado a força do Metallica nesses últimos anos, o baixo de Robert Trujillo. O cara é um monstro!. Toca demais, não é espalhafatoso e segura muito bem a cozinha junto com Lars, deixando Kirk e James livres e soltos para mostrar todo o valor da banda em músicas que certamente ficarão na história.

Não acho que “Death Magnetic” seja uma volta as origens para o Metallica pois para isso a banda teria que ignorar todo o sucesso alcançado nesses últimos anos e descartar todas as influências adquiridas com os discos lançados pós “And Justice...”. O que encaro como realidade é que a banda está mais focada e coesa no que sabe fazer melhor, barulho!!!!

Viva o Metal!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Emocore (pequeno ensaio)


Sempre tive dificuldade em assimilar rótulos musicais. Punk, Headbanger, Grunge, Gótico..... . Para mim são todos derivados de um único estilo, o rock. Mas a imprensa e o público leigo em geral precisam de uma referência e então entram os mal fadados rótulos. 

É aí que entra o Emocore. Emocore????. Mas que diabos?. Para quem não se habituou a assimilar o que a palavra significa é a união das palavras “Emotional” e “Hardcore”.

Tecnicamente o “estilo” surgiu no final dos anos 80 com bandas que, tocando um hardcore como conhecemos (rápido e gritado), começaram a colocar nas suas letras temas mais sentimentais e situações pessoais mais reservadas, o que levava o estilo (hardcore) para outro caminho. 

Amantes do hardcore tradicional e “roqueiros” das antigas torcem o nariz para o “movimento” uma vez que o apelo visual dos meninos é extremamente andrógino (totalmente inspirado em David Bowie anos 70 e mais recentemente no visual de bandas com Placebo) e as letras são um tremendo mela cueca. Mas aí é que ta o negócio. Vale a pena criticar os “Emos”?. 

Na minha opinião não. Essa galera de hoje são os grunges dos anos 90 e me lembro bem do pessoal da mídia descer o sarrafo em bandas e fãs da época dizendo que eram nada mais nada menos uma cópia mal feita do rock setentista. Ok, ok, a qualidade musical desceu muito o nível de lá pra cá, mas guardando as proporções, discos bons estão sendo feitos pela molecada de hoje em dia. 

Um bom exemplo disso é “Welcome to the black parade” disco de 2006 do My Chemical Romance. A banda, liderada pelo vocalista Gerard Way criou um disco conceitual, quase uma ópera rock, totalmente consistente e com apelo juvenil próprio para a época em que vivemos.

 Outro bom exemplo é “Pretty Odd” do Panic At The Disco. Ouvi apenas algumas músicas do disco, mas posso afirmar que a banda está no caminho certo avaliando e transformando o rock conforme as necessidades de tempo e espaço no meio musical. 

Tenho que admitir o meu estranhamento com relação as bandas acima a primeira audição e visualização. Achei extremamente teatral todo o aparato das bandas e as letras e músicas um pouco forçadas demais. Mas foi só esperar o amadurecimento e encontramos verdadeiras jóias nos trabalhos mais recentes. 

Não posso avaliar o mercado brasileiro, pois estou extremamente distante do cenário atual, mas o que tenho ouvido e visto, com relação ao emocore,  não tem me agradado muito. 

Independente se é bom ou ruim temos que respeitar o gosto desses garotos e garotas, pois é muito saudável ter na adolescência bandas e de certa forma um “movimento” que salve-guarde-nos das pressões diárias relativas a essa idade. É desse período que eles se lembrarão para o resto de suas vidas. 

Muita, mas muita coisa ruim vem junto com bandas boas dentro de “movimentos” criados por fãs e gravadoras, mas dentro desse lixo encontram-se boas novidade e bandas que ficarão marcadas no tempo como percussoras e formadoras de estilo e comportamento.

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Spirit - Trailer addict

Você se lembra do Spirit, não??

então dá uma olhada no link abaixo:

http://www.judao.com.br/cinema/veja-um-video-de-introducao-ao-mundo-de-the-spirit/

AC/DC - Black Ice (pequena resenha)

Ainda estou ouvindo “Black Ice”, o novo disco da banda australiana AC/DC, mas não agüentei e tenho que escrever imediatamente o que estou sentindo. Acaba de começar a música “War Machine”e pra mim o disco já poderia ter acabado. Não, não achei o disco uma porcaria, muito pelo contrário, o disco é muto bom!!!!. Por isso mesmo, só uma pequena dose dele já te faz ficar com aquela cara de espanto pensando: “-Como podem, um bando de tiozinhos fazer um som tão bom depois de décadas tocando o mesmo som????”. Pois bem, Angus, Malcom e CIA fazem o que sabem fazer melhor, riffs matadores, solos precisos e letras que grudam na sua cabeça.

O que começa a tocar agora é “Smash ‘N`Grab”. A voz rouca de pato de Brian Johnson parece nunca mudar. Apesar dos anos de abuso o “tiozinho” dá pau em muitos moleques metidos a roqueiros de hoje em dia. A bateria precisa e o baixo discreto servem de base para as guitarras de Malcom e Angus desfilarem um som contagiante e até certo ponto viciante, você simplesmente não consegue parar de ouvir.


Faixas que não chegam aos cinco minutos, cheias de energia e baseado no mais perverso blues já criado no planeta, discaço!


Neste ponto do CD estou na faixa “Rock n’ Roll Dream”, a “balada” do disco e candidata máxima a se tornar histórica.


Black Ice, a faixa título fecha o álbum com chave de ouro com um riff dos mais safados e por isso mesmo clássico até o caroço!


Li gente dizendo que este é o melhor álbum dos caras desde “Back In Black”, é muita responsa..... Mas com certeza é o melhor desde “The Razors Edge” de 1990.


AC/DC, muito obrigado por nos dar a oportunidade de ainda sonhar em ter um rock n’roll de raiz, de qualidade e mais do que tudo, forte e alto!.

P.S.: Alandre valeu pela dica!

Mais informações visitem:
http://www.acdc.com/

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Anos 90 - Rock Inglês

Em 1995 eu estava fazendo cursinho, pois queria entrar em uma universidade pública. Dentro do curso aprendi muitas coisas, mas o que levei de lá mesmo foi uma tremenda aula de como se fazer um bom rock inglês. Os amigos que encontrei lá eram muito diferentes do colégio, gostavam de uns sons mais malucos, menos pesados mais não menos geniais. Foi com esse pessoal que conheci The Smiths, The Cure, The Who entre outras..... 

Na época eu lia a revista Bizz e vi, num pequeno quadradinho, uma ponta de matéria sobre uma banda que começava a bombar na Inglaterra, era composta de dois irmãos geniosos e extremamente temperamentais, os irmãos Gallagher. A banda, Oasis. 

Demorou um tempinho até eu ouvir um som dos caras mas quando ouvi..... “Supersonic” entrou pelos meus ouvidos exatamente como o nome da música sugeria. Mais uma vez eu estava apaixonado por um gênero até então desconhecido de rock (para mim). 

A avalanche do que chamaram “Brit Pop” foi pesada. Oasis explodiu com “Wonderwall”, o Blur, outra banda da Inglaterra que fazia um som mesnos rock e mais pop, mas não menos talentosa, lançava “Girls And Boys” e puxava a corda para eles. A briga dos dois líderes, Damon Albarn do Blur e Noel Gallagher do Oasis ficou escrita na história depois que o guitarrista do Oasis disse que Damon e Alex do Blur deveriam morrer de AIDS. 



Outras bandas deram as caras e lucraram com o momento, bandas com músicos incríveis e com composições maravilhosas, The Verve, Radiohead, Manic Street Preachers, Charlatans UK, Pulp, Suede, Palcebo dominaram as paradas dessa metade dos anos 90. 

Como todo “movimento” movido pela indústria fonográfica o Britpop perdeu força e hoje segue com as bandas daquela época lotando estádios na Inglaterra e invariavelmente colocando hits nas paradas mundiais. 

Obs.: Oasis em S.P. EU FUI (nas duas vezes!)! 

Abraço.....

 
P.S. - Britpop, maiores informações visitem: http://pt.wikipedia.org/wiki/Britpop

 

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Anos 90 - Rock Brazuca

No início dos anos 90 o rock nacional teve uma injeção de ânimo com bandas como Planet Hemp, Skank e, para mim, principalmente os Raimundos. Essas bandas junto com Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A., Maskavo Roots, Devotos do Ódio e muitas e muitas outras mostraram para mim que rock brazuca não se limitava a bandas dos anos 80. O rock nacional estava vivo e pulsante.
Foi uma época muito boa para a música nacional. A MTV Brasil estava em constante crescimento, a nossa moeda estava cada vez mais forte e o sentimento de otimismo com relação ao país fez com que os jovens brasileiros pudessem relaxar e curtir uns sons despreocupados se amanhã teriam dinheiro para o pão.
Foi nesse ambiente que eu estava crescendo. Já não era mais uma criança, mas ainda era um garoto, que não tinha noção do que acontecia e apenas continuava minha jornada de descobrimento com relação ao bom e velho rock n’roll.
Essas bandas que relacionei acima têm cada uma a sua maneira, uma forte influência ao meu modo de pensar o rock, que cada vez mais, se desprendia do radicalismo e se abria para uma diversidade que, musicalmente, era muito saudável e rica para mim.Planet Hemp me fez olhar o Rap, tão forte nas letras e rimas, o Skank me fez prestar atenção na qualidade do rock pop nacional, os Raimundos e Devotos do Ódio me apresentaram o punk, hardcore, Chico Science e Nação Zumbi junto com Mundo Livre S.A. mostraram o quão diverso e rico pode ser o nosso rock se não nos esquecer-mos que somos brasileiros.

Essas bandas surgiram num cenário muito favorável, tanto pelo lado comercial quanto pelo lado social e mudaram não só a minha como a cabeça de todos os jovens antenados em música daquela época. E ainda tinha muito mais por vir.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Camisas de flanela - parte 3


Comecei a estudar na escola profissionalizante em Fevereiro de 1992. Em Maio do mesmo ano consegui um patrocínio de uma empresa que funcionava da seguinte forma. Eu trabalhava nas férias escolares e recebia o ano inteiro!. Basicamente eu recebia para estudar. Para mim era uma maravilha, eu tinha o meu próprio salário.

No final de 1992 eu já tinha me rendido totalmente ao som de Seattle. Na minha vitrola só passavam bandas de lá. Não que eu tinha me esquecido dos clássicos mas os anos de 1992 e 1993 foram de total prioridade para o som “grunge”.
Com o meu dinheiro eu fui a festa. Comprei discos de todas as bandas importantes da época, Alice in Chains, Pearl Jam, Soundgarden, L7 e muitos outros que até hoje estão em algum lugar na casa da minha mãe.

Em 1994 eu já tinha terminado a escola profissionalizante, já trabalhava como efetivo na empresa que me ajudou e estava no último ano do colegial. O movimento das bandas de Seattle tinha dado uma esfriada, mas as bandas continuavam a fazer sucesso e lançar disco. Foi nesse ambiente que veio a notícia. Kurt Cobain tinha dado um tiro na cabeça. O líder grunge tinha morrido. Foi um baque para todos. Era conhecido que Kurt não lidava muito bem com esse lance de hiper sucesso, o hype dele era subir no palco e extravasar os conflitos existenciais que ele tinha na sua vida. Depois da morte dele muitas de suas letras ficaram mais claras quanto a significados e identificação com pessoas próximas a ele.


Depois da morte do líder do Nirvana o grunge sumiu, sumiu das paradas, das rádios, da TV, de tudo e qualquer lugar que você imagina. Só fãs acompanham as bandas que até hoje lançam discos e fazem turnês. A do Pearl Jam pela América do Sul foi um sucesso e uma catarse (eu estava lá!). Para mim esse período foi o que eu mais me interessei em termos de musicalidade e atitude. Eu estava no centro do furacão. Como disse uma vez o jornalista Álvaro Pereira Júnior na coluna “Folhateen” do jornal “Folha de São Paulo” – ‘As bandas que conhecemos e admiramos na nossa adolescência são as que levaremos para o resto de nossas vidas’.
O grunge podia estar adormecido (nunca morto) mas o rock estava muito vivo, e eu também....

Camisas de flanela - parte 2


Com o final do ano letivo eu perdi quase que totalmente o contato com os amigos do colégio. A maioria foi para as viagens de final de ano e logo depois ingressara em escolas técnicas.
Eu por minha vez fiquei em casa esperando o início das aulas na escola profissionalizante. E enquanto aguardava fui testemunha da última revolução do rock.



Não sei como, mas consegui fazer a MTV funcionar em casa, a transmissão UHF era muito ruim, mas dava para ver alguma coisa entre os fantasmas que apareciam de um lado para o outro.
Foi nessa tranqueira e com o “Clip Trip” (também tenho que dar o crédito a “Folha de São Paulo”e a revista “Bizz”) que descobri o que era o “Grunge”. Um “movimento” vindo da cidade de Seattle ao norte dos EUA com jovens que privilegiavam o som acima de tudo. O visual aproximava-se do punk (pelo desleixo) e o som variava de banda para banda. Algumas soavam clássicas (Pearl Jam), outras soavam punk alternativa (Mudhoney) e algumas soavam pesadas como as bandas de metal (Alice in Chains e Soundgarden). E outras não soavam com nada disso ou tudo isso junto. Era o caso do Nirvana.
O engraçado é que o único disco que tenho do Nirvana é o ”Unplugged in New York”, acho que na verdade eu nunca fui muito fã do Nirvana, respeitava a banda por ser a que estourou e trouxe para mim todas essas citadas acima.


Até esse momento, início de 1992, eu estava acompanhando tudo pelo que as rádios mandavam (89fm e 97fm), pelo que os jornais e revistas escreviam e pelo que a TV mostrava. Na época não tinha internet então tínhamos que “correr” atrás da informação.
Eu ficava o dia inteiro na escola profissionalizante , entrava às sete da manhã e saía às quatro da tarde. Como complemento eu fazia o colegial à noite. Dentro desses “centros de educação” era aonde eu me abastecia de informações e curiosidades. Foram nesses lugares que descolei o “Nevermind” (Nirvana) e o “Bricks Are Heavy” (L7) para gravar, conseguia informações que não obtinha nos meios tradicionais e ia tentando organizar tudo dentro da minha cabeça.
Eu estava apaixonado por esse som. Não sei se porque era o ápice da minha adolescência, mas eu pirava com o som que Pearl Jam, Nirvana e CIA estavam fazendo.

Camisas de flanela

Terminei a 8ª série em 1991. Já não era o “estranho no ninho”, tinha amigos, gozava até de certa reputação, pois após me enturmar consegui formar um grupo de amigos que até aquele momento era muito unido (achei que passaríamos o resto da vida juntos). Mas o final do ano chegou. As minhas opções naquele momento eram trabalhar como office boy na empresa na qual meu pai trabalhava ou entrar em uma escola profissionalizante afim de me tornar especialista em algum ramo da área industrial. Nunca me imaginei dentro de uma fábrica, mas como disse, as opções eram essas. Meu pai parecia já prever que a nossa situação financeira engrossaria (como de fato engrossou) e sutilmente, como sempre, me influenciou positivamente a seguir o caminho da escola profissionalizante (e é o que me sustenta até hoje).

Mas musicalmente falando, eu me tornara um roqueiro (já disse que odeio rótulos, mas naquele momento era o que eu era). Na minha vitrola só tocava paulada. Dos antigos, Led, Sabbath, Purple. Dos novos, Sepultura, Metallica, Slayer. Eu só ouvia pedradas!.
Tudo mudou exatamente no último dia letivo do ano de 1991. Como de costume eu estava ouvindo Clip Trip antes de ir para a escola (nota – naquela época tinha dias que o Clip Trip só tocava New Kids On The Block!), mas não foi o caso desse dia. Nesse programa tocou uma música de uma banda que varreu todos os modos e rótulos que até então reinavam no rock n’ roll. Era extremamente diferente e talvez por isso tão cativante. A música era “Smell Like Teen Spirit” e a banda, Nirvana.

Chapei.

No término da música fiquei me perguntando: - “De onde vem esses caras?, que som é esse?. É punk?. É metal?; Mas eles não tem cabelo comprido..... Não usam roupas pretas e não tem caveira nas camisas....... Mas que porra é essa?!!!!”
Fui para a escola com o refrão na cabeça, falei com meus amigos, mas ninguém conhecia a banda ou a música..... Formou-se um hiato e percebi que eu teria que descobrir sozinho da onde vinha esse som.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Cruzando a ponte

O ano de 1989 foi muito produtivo musicalmente para mim. Na verdade, acredito que muito do que gosto hoje começou a se formar nesse ano.
"Reign In Blood", do Slayer, tinha batido na minha cara como uma tábua de passar roupa, mas uma outra banda, muito mais polêmica e tão precisa, musicalmente falando, faria essa ponte que me faltava para o Trash, Doom e outras vertentes do Heavy Metal.
Estou falando de uma banda onde o baixista tinha pose de punk, o guitarrista tinha pose de guitar hero – mais tarde tornou-se um com méritos- e o vocalista era (usei o verbo na forma certa?) a essência de um poser. Sim, estou falando de Guns N’ Roses.
Guns N’ Roses? O que essa banda tem para te mostrar? Qual a relação com o Slayer? Cê ta ficando louco!??!. Pois é, ouvi isso a minha vida inteira dos meus amigos “roqueiros” – odeio rótulo -, mas sim o Guns N’ Roses tinha muito para me ensinar. O GNR foi a primeira banda que gostei sem a influência de ninguém, sem saber eu estava ali aprendendo na lata as máximas do rock n’ roll. Guns N’ Roses naquela época faziam o que Amy Winehouse e companhia fazem hoje (tudo de bom e de ruim). Os caras arrebentavam!!!!.
Lembro-me de ter odiado “Patience”, achei lamacenta e grudenta, mas quando ouvi “Welcome to the Jungle”, vixe nossa Senhora...... Não sosseguei até conseguir o disco (esse veio emprestado mesmo), gravei e ouvi até a fita quebrar. Paradise City com certeza influenciou meus irmãos a seguirem os caminhos tortuosos do rock, pois me lembro de ficar-mos gritando e pulando que nem loucos na sala com o volume no talo e deixando minha mãe louca sempre que a música passava no “Clip Trip”.
Tudo bem, os caras fora do palco só faziam merda, mas para um garoto de doze anos tudo era uma viagem, era o que faltava para o meu batismo, eu estava oficialmente no mundo do Rock!. A ponte estava completa, ali eu tinha o punk, o hard, o heavy, meus ouvidos estavam prontos para qualquer coisa....

A galera desse colégio novo era muito gente fina e consegui uma pá de discos legais com eles. Foi lá que descobri que tinha uma banda brasileira muito foda lançando disco no exterior e fazendo turnê com Motorhead, Metallica e Saxon. O Sepultura tinha decolado. “Orgasmatron” começou a buzinar, com sua introdução hipnotizante, na minha cabeça me tirando o sono, pois para mim rock pesado só se fazia no exterior. Fiquei fã de carteirinha e uma das grandes tristezas da minha vida foi a separação dos caras, com certeza se tornariam a maior banda de metal de todos os tempos (sem exagero....).


Foi nesse ambiente que também descolei um disco todo preto, com um som que era pesado, mas totalmente assoviável para as rádios, de uns caras que eram lendas do trash metal e que naquele momento, estavam escrevendo um capítulo da história do rock. Estou me referindo ao Black Álbum do Metallica.
Sem dúvida um dos melhores discos de Heavy Metal que já foram gravados, o “Black” marcou minha vida por mostrar que você podia fazer metal com muita propriedade e ainda tocar na rádio!!!. Eles, James, Lars, Kirk e Jason, com certeza, não tinham idéia do que estavam fazendo. E fizeram bem feito. Simplesmente, rock.

Depois disso voltei a ouvir Reign In Blood e dessa vez fez mais sentido....

Andando com as próprias pernas

Não me lembro bem a primeira vez que ouvi uma banda de Heavy Metal, a lembrança mais antiga de bandas pesadas que tenho na cabeça são o Judas Priest (que na verdade nunca fui muito fã mas detonava com o álbum British Steel) e o Kiss (que não era propriamente Heavy Metal mas para mim era assustador!!). Na época ouvia muito Kiss por causa de um programa chamado "Som Pop" apresentado pelo Kid Vinil na T.V. Cultura, era de lá que vinham as minhas experiências televisivas relacionadas ao rock, até chegar a MTV mas aí é outra história.


Esse lance de Heavy Metal mudou completamente para mim quando comprei/ ganhei o álbum "Piece of Mind" do Iron Maiden. Já tinha ouvido Iron antes, por causa do Som Pop, mas aquele álbum, com todo aquele vigor, a capa destruidora (uma das melhores), me arrebentou!. Tenho ele até hoje, além da versão em CD e MP3. Fiquei viciado em Iron Maiden, depois desse disco ainda comprei alguns outros LP`s até entrar a era do CD (tenho alguns outros CD`s da banda também) e posteriormente a era do MP3 (agora tenho a coleção toda!). Depois desse disco Kiss era "Balão Mágico" para mim. Rasguei minha jaqueta, espetei o cabelo e, tomei uma bronca da minha mãe!!!!. Pois é, a vida em casa era muito rígida (nem tanto, consegui ficar com a jaqueta e a calça rasgada mas tive que cortar o cabelo).
Nessa época, 1988, 1989, eu já andava com as próprias pernas, pesquisava minhas bandas e tentava comprar meus discos, o primeiro com meu próprio dinheiro foi "The Razors Edge" do AC/DC em 1990, eu acho. Mas não tinha muitos amigos para trocar idéias e tal. Isso mudou exatamente em 1989 quando mudei de colégio e minha concepção de Metal também.

Colégio novo é foda!!. Para um garoto tímido, com cara de cdf, pior ainda!!. Eu tinha que mostrar alguma identidade própria, então, no primeiro dia que pude ir sem o uniforme da escola, coloquei minha jaqueta rasgada com o Eddie nas costas (presente da Cris), minha calça toda fuleira e fui lá pagar uma de Headbanger..... (lembrar disso é constrangedor!). Constrangedor ou não, deu certo. De cara apareceram três caras que mudaram a minha idéia do que era Heavy Metal, Flávio, Daniel e um outro moleque meio doido que não me lembro o nome mas conhecia para cacete de música. Esses caras me emprestaram um disco que me deixou de queixo caído quando ouvi pela primeira vez, era "Reign In Blood" do Slayer. Cara, era um tapa na cara!!. Agressivo de uma tal maneira que numa primeira audição achei uma bosta!!. Isso mesmo, era muito forte para mim. Fiquei um tempo sem ouvir sons tão pesados, era como se eu tivesse pulado uma fase de experiência do Rock N`Roll, estava indo depressa demais.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Maturando

Como disse no post anterior a convivência com tio e primo na casa de minha avó me influenciou profundamente. Além dos sons que já citei encontrei lá coisas incríveis com Deep Purple (Machine Head, ouvia direto!) e uma banda nacional que me deixaria de cabelo em pé (naquela época tinha cabelo!), Camisa de Vênus. Pra ser sincero não entendia muito as letras do Marcelo Nova mas a força sonora da banda e as letras em português eram algo que até então não sabia que poderiam ser feitas. Discos do Camisa ouvidos até furar dessa época ("Viva" e "Correndo o Risco").

Com onze anos a minha mãe parou de trabalhar e a temporada na casa da minha avó foi cada vez ficando menor. Mas o amor ao Rock já tinha se alastrado por dentro de mim e não demorou até que meus pais me presentearam com um 3 em 1 da CCE. Para mim era tudo de mais moderno que tinha no planeta. Podia ouvir as rádios, LP's e ainda gravar meus K7's!!!!. A minha harmonia com meu tio e primo abalou pois não tinha um dia que eu não ia a casa da minha avó buscar discos para gravar, hehehe......

Voltando ao Camisa, nessa época eu tava doido, doido, doido por um disco dos caras chamado "Duplo Sentido". Era o disco de despedida, como o nome sugeria duplo, e com participação do Raul Seixas na faixa "Muita estrela, pouca constelação". Eu tinha que ter esse disco!!!. Mas só tinha um detalhe, não tinha grana. Implorei à minha mãe para me dar o disco e no Natal de 1987 meus pais chegaram com um embrulo e nele estava......... Um disco do Capital Inicial!!!!! Era como se hoje eu pedisse um disco do Cachorro Grande e recebesse um disco da Sandy!. O tal disco era o "Independência" e não era tão ruim assim, até escutei um pouco (umas três vezes). 

A minha decepção foi tão grande que, na metade de 1988, minha mãe foi até o saudoso Mappin na praça Ramos e falou "-Escolha dois discos para você, não importa qual nem o valor". Cara, eu parecia estar numa loja de doces. Na época o Mappin era para mim como um shopping center, tinha tudo que eu precisava, brinquedos, roupas legais, eletro eletrônicos (o 3 em 1 veio de lá) e discos!!. Depois de muito procurar encontrei o que queria e levei até a minha mãe. Ela fez uma cara de dor de barriga mas, graças a minha prima (valeu Cris!!!) consegui levar os dois discos que mais ouvi na minha vida, Camisa de Vênus - "Duplo Sentido" e uma banda que eu já conhecia mas que a partir desse disco mudaria meu gosto musical por muito anos Iron Maiden - "Piece of Mind". Depois desse dia minha mãe deve ter pensado "Meu filho foi pro lado negro da força....."

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

O Início



A lembrança mais antiga que tenho em relação ao rock n`roll são os LP`s "For Sale"dos Beatles e uma coletânea com os 40 maiores sucessos de Elvis presley. Eu deveria ter uns 6 anos (ninguém acredita que eu me lembro de um LP dos Beatles aos seis anos, mas a verdade é que eu adorava a capa com os 4 rapazes e seus cabelos ridículos!). Nessa época meu pai tinha uma vitrolinha mas ela vivia quebrada. A minha primeira influência veio das capas e não dos sons propriamente ditos

Aos sete anos comecei a passar muito tempo na casa da minha avó (saudosa Dona Nêga) e lá minha vida mudou completamente. Moravam na casa duas pessoas que me influenciaram completamente, meu tio Abel e meu primo Ulisses. Não que eles me davam bola, eu era muito mais novo do que eles, mas a quantidade de discos e fitas cassetes (anos 80 - dá um desconto!) que eles tinham lá era muito superior a coleção Beatles, Elvis, Suzi Quatro do meu pai.
Lá eu comecei a ouvir, Queen, Whitesnake, Pink Floyd (achava o som esquisitissimo) e principalmente Judas Priest (British Steel). Até os 10 anos de idade a quantidade de informação sonora que adquiri naquela casa foi tão grande que influenciaria a minha vida até hoje....