
Sempre tive dificuldade em assimilar rótulos musicais. Punk, Headbanger, Grunge, Gótico..... . Para mim são todos derivados de um único estilo, o rock. Mas a imprensa e o público leigo em geral precisam de uma referência e então entram os mal fadados rótulos.
É aí que entra o Emocore. Emocore????. Mas que diabos?. Para quem não se habituou a assimilar o que a palavra significa é a união das palavras “Emotional” e “Hardcore”.
Tecnicamente o “estilo” surgiu no final dos anos 80 com bandas que, tocando um hardcore como conhecemos (rápido e gritado), começaram a colocar nas suas letras temas mais sentimentais e situações pessoais mais reservadas, o que levava o estilo (hardcore) para outro caminho.
Amantes do hardcore tradicional e “roqueiros” das antigas torcem o nariz para o “movimento” uma vez que o apelo visual dos meninos é extremamente andrógino (totalmente inspirado em David Bowie anos 70 e mais recentemente no visual de bandas com Placebo) e as letras são um tremendo mela cueca. Mas aí é que ta o negócio. Vale a pena criticar os “Emos”?.
Na minha opinião não. Essa galera de hoje são os grunges dos anos 90 e me lembro bem do pessoal da mídia descer o sarrafo em bandas e fãs da época dizendo que eram nada mais nada menos uma cópia mal feita do rock setentista. Ok, ok, a qualidade musical desceu muito o nível de lá pra cá, mas guardando as proporções, discos bons estão sendo feitos pela molecada de hoje em dia.
Um bom exemplo disso é “Welcome to the black parade” disco de 2006 do My Chemical Romance. A banda, liderada pelo vocalista Gerard Way criou um disco conceitual, quase uma ópera rock, totalmente consistente e com apelo juvenil próprio para a época em que vivemos.
Outro bom exemplo é “Pretty Odd” do Panic At The Disco. Ouvi apenas algumas músicas do disco, mas posso afirmar que a banda está no caminho certo avaliando e transformando o rock conforme as necessidades de tempo e espaço no meio musical.
Tenho que admitir o meu estranhamento com relação as bandas acima a primeira audição e visualização. Achei extremamente teatral todo o aparato das bandas e as letras e músicas um pouco forçadas demais. Mas foi só esperar o amadurecimento e encontramos verdadeiras jóias nos trabalhos mais recentes.
Não posso avaliar o mercado brasileiro, pois estou extremamente distante do cenário atual, mas o que tenho ouvido e visto, com relação ao emocore, não tem me agradado muito.
Independente se é bom ou ruim temos que respeitar o gosto desses garotos e garotas, pois é muito saudável ter na adolescência bandas e de certa forma um “movimento” que salve-guarde-nos das pressões diárias relativas a essa idade. É desse período que eles se lembrarão para o resto de suas vidas.
Muita, mas muita coisa ruim vem junto com bandas boas dentro de “movimentos” criados por fãs e gravadoras, mas dentro desse lixo encontram-se boas novidade e bandas que ficarão marcadas no tempo como percussoras e formadoras de estilo e comportamento.