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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Deftones


A muito devo um post bem caprichado sobre a banda Deftones.

Vamos lá....

Para quem não sabe, a década de 90 foi do New Metal (ou Nü Metal), uma onda, um sub gênero, em que o importante era a inovação, a mistura de estilos, a busca pelo novo.

Dessa safra de artistas mutantes, três bandas ficaram mundialmente conhecidas e foram responsáveis por alavancar os sons do tal New Metal.

Foram elas:

Korn, Limp Bizkit e Deftones.

Das três, o Deftones se destacava pelo peso do som das guitarras de Stephen Carpenter, da sincronia e groove baixo de Chi Cheng e das baquetas precisas de Abe Cunningham, tudo isso junto com o vocal, as vezes sutil, as vezes  gutural do vocalista Chino Moreno.

O primeiro álbum, “Adrenaline”, de 1995, já mostrava uma banda que teria vida longa, pois percebia-se uma energia e uma personalidade muito forte.  Era um trabalho cru, com muitas aparas a serem feitas, mas já dava para perceber o talento dos seus integrantes.

Em 1997 a banda lança “Around The Fur”, um álbum em que as pedradas vem uma atrás da outra. Nele o Deftones mostrou que o que faziam estava a frente do seu tempo. Um som ao mesmo alternativo, pesado e por que não dizer... pop. Com esse disco a banda excursionou como nunca e ganhou o respeito de crítica e público.

Em 2000 veio a consagração. É esse o ano em que lançaram “White Pony”, até agora o álbum de maior vendagem da banda. Esse disco é um divisor de águas, nele o DJ Frank Delgado, antigo colaborador, é integrado a banda, é nesse disco também que Chino Moreno começa a contribuir ativamente nas guitarras. Nele o guitarrista Stephen Carpenter inicia uma busca por novos sons, usando guitarras de 7 cordas. As letras de Chino para o álbum são mais fantasiosas e o som da banda começa a mudar para algo menos pesado e mais complexo. Para mim, “White Pony” é uma ponte.

A ponte a que me referi no texto acima diz respeito a “Deftones”, disco homônimo da banda lançado em 2003. É nesse disco que todas as idéias que podem ser percebidas em White Pony, tomam vida. O vocal de Chino está no ponto certo, as letras, cada vez mais viajantes, o peso das guitarras de Stephen e a cozinha de Abe e Chi são a base para que a banda como um todo soe coesa e pesada, sem ser enjoativa. As bases de Delgado são minimalistas, o que só acrescenta ao som da banda. “Deftones” para mim é um clássico.

Depois disso a banda mandou para o mercado, em 2006, “B-sides And Rarities”, álbum de covers e de músicas lançadas apenas em EPs. Nada significativo.

Em 31 de Outubro de 2006 é lançado “Saturday Night Wrist”, quinto álbum da banda e o mais irregular. É incrível como a química entre produtor e banda precisa ser na medida certa para que algo funcione dentro de um estúdio. O longo período em que ficaram com o produtor Terry Date só trouxe bons frutos, porém a banda viu que precisava de novos desafios e escalou o produtor Bob Ezrin (Lou Reed, Alice Cooper, Pink Floyd). Bob, de perfil controlador e de personalidade forte, mudou toda a forma da banda gravar, o que os desagradou demais, levando a desentendimentos e um longo período para regravarem o material. Independente de isso ser um fator decisivo, o que se percebe no álbum é um quê de remendos, parece que o disco é uma colcha de retalhos. Porém, ainda sim é um bom trabalho.

Em 04 de Novembro de 2008, o baixista Chi Cheng se envolveu em um sério acidente de carro, entrando e ficando em coma desde então. Nessa época a banda estava a gravar o álbum que seria intitulado “Eros”, porém com o acidente do colega de banda decidiram adiar o lançamento do álbum para se concentrar em algo que os motivava naquele momento. Sentimentalmente estavam abalados e queriam que essa dor, essa tragédia que abalou a banda estivesse carimbada nas suas músicas. “Eros” foi engavetado, porém não foi negado pela banda. Em um futuro ainda o conheceremos...

Superada a dor de ter um colega em coma, os caras da banda chamaram Sergio Vega (Quicksand) para o lugar de Chi Cheng no baixo. Sergio já era antigo amigo e também colaborador, tendo tocado com a banda em meados de 1998. Junto com Vega foi lançado em 2010 o álbum “Diamond Eyes”, que sinceramente para mim é o melhor da banda até agora. Diamond é um disco maduro. É perceptível a evolução musical de toda a banda nele. Chi Cheng ficaria extremamente orgulhoso do resultado final, a banda não poderia homenageá-lo de melhor forma.

Recém saído do forno, “Koi No Yokan”, lançado em 13 de Novembro de 2012 é o sétimo álbum da banda, o segundo sem a participação de Chi Cheng e o segundo com o baixista Sergio Vega fazendo sua participação, dessa vez bem mais efetiva. A banda mostra-se feliz nesse disco, com músicas mais psicodélicas, com Stephen utilizando guitarra de 8(!!) cordas e com um som que aprendemos a reconhecer como sendo Deftones.

Bem, passados tantos anos, modas indo e vindo, bandas começando, acabando, críticas, tragédias, pressões, tensões. Tudo isso dentro de um caldeirão poderia ter estraçalhado a banda. Mas foi o contrário. Fiéis ao seu som e ao modo como vêem a sua música, o Deftones marcou com seu selo de qualidade a cena musical e imprimiu seu estilo ao longo de belos discos e apresentações memoráveis.

Fica aqui minha homenagem a banda e minha força para a recuperação de Chi Cheng.

Com vocês,

DEFTONES!













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